domingo, 3 de janeiro de 2010

Tish Monaghan fala sobre o figurino da Saga

Uma entrevista super bacana com a figurinista de dois filmes da saga de Crepúsculo. Ela até deixa escapar um pouquinho de Eclipse, confiram:

Não há como não gostar de uma figurinista que admite estar vestindo moletom enquanto conversa com você direto de sua casa, em Vancouver. Conversamos por telefone com Tish Monaghan, que cuidou dos figurinos de Lua Nova e Eclipse. Ela falou sobre como Edward acabou usando um terno, como os músculos de Jacob ficaram ressaltados em sua camiseta (quando ele veste uma), porque os shorts da matilha tinham que ser bem apertados e mais…

ENTERTAINMENT WEEKLY: Qualquer um que escutou os comentários do DVD de Crepúsculo sabe que o Robert Pattinson não gostou muito de usar um casaco.
TISH MONAGHAN: Ele não gostou mesmo. Ele o veste em várias cenas, acho que ele acabou enjoando disso. Isso é o que eu acho. (risos) Ele queria um visual mais maduro. Aquele era o penúltimo ano do Edward na escola, e agora ele está quase se formando, está em uma relação. Ele usou blusa com capuz, jeans e tênis, e tanto o Robert quanto o Chris queriam deixar o Robert com o visual de cavalheiro, mais elegante e clássico. Nos vampiros, eu sempre quis voltar um pouco naquele tempo de quando eles se tornaram vampiros, ver se havia algo que eu pudesse deixar mais contemporâneo. Ele saiu de um período Eduardiano, lá por volta de 1910. É claro que a maioria dos homens deveria usar ternos, casacos, chapéus, essas coisas. Tivemos que escolher algo que marcasse o personagem durante o filme. No comecinho do filme, ele está usando roupas de adolescente, e aí há a festa da Bella e o desastre acontece. Assim, o Edward aparece com a mesma roupa durante o filme todo. Eu estava pensando em deixá-lo usando uma camisa e calças, mas o Robert queria que ele usasse um terno.

Então encontrei um visual moderno, assim ele chamaria atenção, algo com um corte fino, um tecido um pouco antigo, esse lindo tecido que trouxemos da Inglaterra. É na cor cinza, algo essencial para a tonalidade sombria usada pelos Cullen, alguns toques de azul, que também fazem parte, um pouco do tom ferrugem, o que eu gosto muito já que a Bella usa tons marrons, e eu gostei do jeito que esses tons ficaram perto dela. A textura geral do terno se adapta bem, não importando em qual tipo de set ele esteja: dentro da casa na festa, na floresta, no salão dos Volturi. Tínhamos que mostrar como usar o terno, e isso foi mais fácil do que se fosse uma peça de algodão. As calças são raladas no joelho, estavam amarrotadas.

Confira a entrevista completa após intervalo!

Não tenho certeza se alguém repara na calça do Edward quando ele tira a camisa na Itália.
Os fãs não veem a hora de assistir a isso, não tenho certeza se o Robert estava tão animado ao fazer isso na frente de 1.500 pessoas. Foi bem difícil para ele. Originalmente testamos nele uma camisa branca lisa, como se fosse a opção de um visual desesperançoso. Isso era também o que o Robert queria – ele queria algo o mostrasse de dentro para fora. Mas você precisa de um toque de cor para dar destaque, e pintamos o tecido de azul. Isso dá um brilho a mais à pele dos vampiros. Acho que esse é um ótimo momento pois vemos o que ele usou de setembro a maio. Quando ele vai se sacrificar, ele está desesperado. O Robert e o Chris queriam que a camisa estivesse rasgada no peito, isso foi algo que acrescentamos. É trágico vê-lo tirando a camisa porque ele está se sacrificando. É como se ele estivesse desistindo de tudo. Ele está se expondo, está completamente vulnerável, ele tira a camisa e começa a descer os degraus. É quando a Bella o alcança, e eles voltam para dentro da torre. (risos) Eu não vejo esse momento como se ele estivesse expondo seu corpo. É um momento comovente, acho que o Robert fez um ótimo trabalho nessa cena.

O rasgo na altura do peito foi para simbolizar que seu coração estava partido desde que ele perdeu a Bella?
Talvez. (risos) Eles apenas disseram “Faça um rasgo no peito.” Eu disse, “Vocês tem certeza? Nenhuma camisa está rasgada.” E eles disseram, “Sim.” E foi o que fiz.

Por que ele não continua sem camisa na cena da luta? Por que foi colocado um manto nele?
Originalmente os guardas que o encontram viriam do lado de fora da torre, é por isso que eles dão o manto a ele. Mas essa parte mudou, e eles o encontram já na parte de dentro. Então por que eles dão o manto a ele? Porque, para ser honesta, fica bem mais legal lutar vestido com esse longo manto, é algo que o protege.

Falando agora da matilha, foi mais fácil vesti-los, já que eles não usam camisa?
Ainda assim tivemos várias peças de roupas para eles. Tínhamos que ter cuidado sobre como os shorts ficariam sobre o quadril, tínhamos que ter certeza de que tudo estaria no lugar certo. Cada ator tinha um pedido diferente, mas também tínhamos os pedidos da parte dos efeitos especiais, porque se eles usassem shorts largos quando se transformassem, levaria muito tempo para o CGI se livrar dessas peças de roupas. Eles queriam que os shorts fossem bem justos, mas não de um jeito exagerado, já que os garotos normalmente não usam shorts tão apertados. (risos) Então, quando eu sabia que eles iriam se transformar, aí eles usavam shorts mais apertados, se não, eles podiam usar algo mais largo. Foram várias peças da Levi’s, American Eagle, Old Navy. Para ser honesta, eu tentei comprar aquilo que eu pensei que os lobos comprariam. (risos) Fui ao Wal-Mart. O conceito que eu tinha em mente era que a qualquer momento eles poderiam se transformar em lobos. Todos eles guardam esse segredo, enterrado em algum lugar da floresta, para onde eles correm pelados. (risos) Foi isso que imaginei. Eles têm uma coleção ilimitada de shorts.

E você prestou atenção ou não nas mangas das camisas do Jacob, a fim de mostrar seus bíceps? Porque foi um trabalho bem feito.
Absolutamente. Tudo girou em torno de fazer com que os músculos de seus braços fossem ressaltados. Há uma cena na qual ele está trabalhando na moto, e os músculos estão realmente tendo destaque na camisa que ele está usando. Ele mostra que está bem forte, e tentamos fazer o mesmo com as camisas. Não havia como não fazer isso já que ele ganhou muita massa muscular. Então o Chris deu a ideia de costurar suas roupas, para encurtar as mangas, deixá-las mais apertadas – como se ele tivesse crescido muito em pouco tempo, e não tivesse tido tempo de comprar roupas novas. Encontramos algumas marcas que se encaixavam bem nesse tipo e tinham as cores perfeitas como a The Gap, Banana Republic, American Apparel, Levi’s. Tentamos usar camisetas mais caras, mas ele ficou lindo usando-as.

Fale sobre como foi vestir os Volturi.
Eu sabia que a cena dava vida a um clima de 1700, e eles andam pelo salão usando mantos. Era muito importante se encaixar nisso e garantir ao público que eles estavam usando mantos tipo de juízes, já que aquilo era um julgamento. Pesquisei sobre esse tipo de figurino em alguns figurinos religiosos de pinturas dos anos 1300 e 1400. Para cada um dos três Volturi — Aro [Michael Sheen], Caius [Jamie Campbell Bower], e Marcus [Christopher Heyerdahl] — fizemos togas da mesma forma, mas com detalhes diferentes.

Há algum significado para a encharpe do Caius?
Ficou bem bonita. (risos) No roteiro estava escrito que o Aro usava um terno preto, porque essa cor é mais poderosa de todas. Então eu quis manter alguns elementos em preto no Caius, mas quebrando isso de alguma forma para que a cor se concentrasse no Aro. Havia muitos tons de cinza e creme no salão dos Volturi, e eu quis trazer alguns elementos vermelhos do festival religioso que acontecia lá fora para dentro do salão. Foi também uma linda textura, uma lã escocesa do tipo pashima que eu trouxe da Índia.

Agora vamos falar das garotas. A Rosalie e a Alice?
Não houve muitas chances em Lua Nova de falar sobre a história de Rosalie, mas sabemos que ela se formou. Você a vê em casa, e lá ela veste exatamente aquilo que quer. Prestando atenção à época de onde ela veio, um dos ícones que a Nikki Reed e eu discutimos foi a Veronica Lake, que uma loira sensual, glamourosa. A Alice, é claro, ainda é uma estudante e herdou o visual fashion de Crepúsculo, e queríamos continuar com isso. Queríamos deixá-la bem fofa e feminina, dando mais atenção aos casacos, luvas de lã, e lenços em seu pescoço. Acho que tudo isso ajudaria a cobrir as partes de seu corpo que poderiam vir a brilhar. E quando ela vai à Itália, eu tinha em mente a Audrey Hepburn. Você tem uma mulher dirigindo um Porsche, que originalmente deveria ser conversível, eu queria que ela usasse um lindo lenço no pescoço, óculos de sol grandes. Quando eu falei desse visual de Audrey Hepburn a Ashley, ela disse “Ai Meu Deus, ela é o meu ícone!” A coisa mais engraçada foi quando eu vi a Ashley ao lado de seu dublê em Montepulciano, eles estavam igualzinhos. Ela estava linda, pálida, com uma carinha de fada, usando o lenço, luvas vermelhas e uma jaqueta Michale Kors, e seu dublê usava o mesmo, mas ele tinha um belo nariz estilo romano, e o dobro de seu tamanho. Foi divertido.

Qual foi sua ideia para o visual da Bella?
Acho que a figurinista do filme anterior captou essa coisa da garota que se sentia deslocada, que acabou de se mudar para um lugar novo. Eu queria continuar com isso, já que ela é uma garota prática. Ela não se veste para seduzir, ela veste uma jaqueta se está frio, ela usa roupas sobrepostas porque provavelmente sente mais frio do que a maioria das garotas de Forks. Conversando com a Kristen, ela também queria um visual mais maduro para a Bella. No começo do filme, ela está feliz e apaixonada pelo Edward, ela quer dar um colorido ao seu mundo, usar tons alegres. Quando ele a deixa, ela meio que fica desleixada, e volta ao que era. Mas os tons de marrom que ela usa são coisas ligadas ao mundo do Jacob. Ela não volta a usar esses tons coloridos até reencontrar o Edward.

Qual peça de roupa da Bella você acha que as pessoas irão querer usar também?
Uma camisa verde da Boy by Band of Outsiders que ela usa nas cenas na Itália.

No final das contas, em qual personagem você mais se arriscou?
No Laurent. O Chris queria que ele e a Victoria ficassem mais elegantes, menos rock ‘n roll. O Laurent usava uma jaqueta de couro, calças bem legais e andava descalço, e o vestimos com um terno e sapatos. (risos) Fizemos o terno, mas eu diria que minha inspiração para o Laurent foi o Alexander McQueen. E eu não fui tão longe quanto queria. Havia esse incrível e longo casaco xadrez de pele de cabra, que ia até os pés, mas era arriscado demais. Ficaria algo muito exagerado. Encontramos ternos bem legais em Seattle.(risos)

Última pergunta: O que você pode nos adiantar sobre o figurino de Eclipse?
Voltamos ao ano de 1700, e fizemos uma tribo Quileute completa. Visitei museus, pesquisei sobre algumas roupas antigas, li diários de marinheiros sobre seus primeiros encontros com os índios na costa noroeste do Pacífico. Fizemos os vampiros na Guerra Civil, os anos de 1930, nosso mundo contemporâneo, fantasiamos com os Volturi voando para Forks, em Washington. Fizemos um exército de recém nascidos. Coisas bem legais.

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